domingo, 19 de julho de 2009

Lembrando Mario Quintana

 

O poeta Mario Quintana residiu no antigo Hotel Magestic na Rua dos Andradas em Porto Alegre por muitos anos, até que este fechou e ele teve de mudar-se para outro hotel. Na época um repórter que acompanhava a mudança perguntou-lhe:
– Mario, depois de tantos anos tu não vais estranhar a nova casa?
– Para mim qualquer lugar é bom, pois aonde vou eu me levo junto, respondeu o poeta.
A propósito disto aqui transcrevo uma pequena lenda oriental.
Conta que um viajante chegando a um povoado, perguntou a um velho que se encontrava na entrada:
– Que tipo de pessoas vive neste lugar? – E como resposta ouviu:
– Que tipo de pessoas vive no lugar de onde tu vens?
– Oh! Um bando de falsos e egoístas, respondeu o viajante.
A isso, o velho retrucou:
– O mesmo tipo de gente tu encontrarás aqui.
No mesmo dia, outro viajante ao chegar formulou a mesma pergunta:
– Que tipo de pessoas vive neste lugar? – E como resposta ouviu:
– Que tipo de pessoas vive no lugar de onde tu vens?
– Pessoas amigas e hospitaleiras, disse o viajante.
O velho retrucou da mesma forma que anteriormente:
– O mesmo tipo de gente tu encontrarás aqui.
Alguém que havia escutado as duas conversas, não se contendo e perguntou:
– Como é possível dar respostas diferentes a mesma pergunta?
– É simples sorriu o velho sábio:
– Cada um carrega consigo e em seu coração o meio em que vive.

Post(0026)NG – Julho 2009

sábado, 18 de julho de 2009

Acredite !

Tem gente que acredita em coelhinho da Páscoa;
Tem os que acreditam em Papai Noel;
Que vai chover na sua horta;
Outros mais ousados acreditam em políticos;
Você encontra gente acreditando em de tudo um pouco.
– Tem gente que até que acredita em si mesmo!

 

É muito bom ter em que acreditar.
Post(0025) NG – Julho 2009


sexta-feira, 17 de julho de 2009

Fabula do abridor de latas


– Existe umabridor de latas utensílio chamado “Abridor de latas”, lembras?
– Eu imaginava ser esta uma ferramenta em extinção.
– Desde que foi inventado em 1855 pelo inglês Robert Yates, tem servido para abrir latas. O curioso da história é que ele só foi inventado 42 anos depois das primeiras latas de conservas, que surgiram em 1813.
– Como o meu é bastante antigo, resolvi, meio sem esperanças de encontrar, procurar um modelo novo na internet – Para espanto meu aparecerem aproximadamente 110.000 resultados para a pesquisa – Tem de tudo: Tipos manuais, elétricos, eletrônicos, a pilha e até um que dizem abrir sozinho, as latas, e também muitas histórias  – selecionei esta entre outras:
Fábula do abridor de latas
– Um dia, a família tomou uma decisão: Economizar tempo, comer só enlatados, a saúde foi para escanteio e as latas invadiram a casa, no almoço, no lanche, na janta, na comida do cachorro e…
– Foi então que ele apareceu.
– Deixando seu canto empoeirado para estrelar no lar. Chegou por cima, importante, sentia-se o rei da cozinha, mais importante que as facas e colheres que só tomam partido após as latas serem abertas. De esquecido passou a astro nas horas das refeições.
– O nanico de metal passou a se sentir grande e forte, além de útil, um pouco presunçoso, talvez – Útil era uma palavra pequena para ele, diante da importância e destaque que alcançara – Era talentoso e até umas garrafas passou a abrir – Elogiado pelo pai, louvado pela mãe, acariciado pelas mãos bem hidratadas da filha adolescente, requisitado como brinquedo pelo filho mais novo, que teimava em brincar de aviãozinho e, aliás, quando sumia, era um Deus nos acuda.
– Foram dias mágicos, até que a família tomou uma nova decisão, para sua maior comodidade – Resolveram comer fora.
– E o abridor de latas voltou para o fundo da gaveta, esquecido.
– Veja você, quando necessário, respondeu desempenhando bem a sua função, com criatividade e presteza, sendo rapidamente descartado quando não precisaram mais dele – Afinal era apenas um utensílio – E você ?

Post(0024) NG  – Julho de 2009

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O milho a Pipoca e o Piruá

 

pipoca 2

Imagine o milho de pipoca dentro da panela, que vai ficando cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou. Dentro de sua casca dura, fechado em si mesmo, não imagina destino diferente. Não imagina a transformação que está porvir. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece:

PUM! – e aparece uma outra coisa completamente diferente que ele mesmo nunca havia sonhado, vira Pipoca.

– A transformação do milho duro em pipoca macia é o símbolo da grande transformação pela qual devemos passar para que venhamos a ser o que devemos ser.

O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele é o que acontece depois do estouro. O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.
As grandes transformações só acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira, uma mesmice e uma dureza assombrosa, achado que o seu jeito de ser é o melhor.
De repente, vem o fogo. A vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: Pode ser fogo de fora: perder um amor, ficar doente, perder o emprego ,… Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, …

– Há sempre um remédio, apagar o fogo, sem fogo o sofrimento diminui. Transformando-nos em um Piruá.

Piruá é o milho de pipoca que se recusa estourar. São os que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Acham que não pode existir coisa melhor que seu jeito de ser. A sua presunção e o medo é a dura casca que não estoura. Seu destino é ficar duro à vida inteira, sem se transformar na flor branca, macia e dar alegria para alguém.

– Terminado o estouro alegre das pipocas, no fundo da panela ficam os Piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Texto de Rubem Alves – Do livro “O Amor que acende a lua” – Adaptado

Post(0023) NG  – 16 de julho 2009

domingo, 5 de julho de 2009

O sentido da vida

 

As sandálias do discípulo faziam barulho nos degraus da escada que levava aos porões do velho mosteiro. Lá vivia um homem muito sábio. O jovem empurrou a pesada porta, entrou demorando um pouco para acostumar-se com a pouca luminosidade. Finalmente, ele localizou o ancião sentado tendo um capuz a lhe cobrir parte do rosto, fazendo anotações num grande livro.

– Mestre, qual o sentido da vida? Perguntou aproximando-se.

O monge permaneceu em silêncio. Apenas apontou para um pedaço de pano no chão junto à parede abaixo da estante e depois para o alto.

Mais do que depressa, o discípulo pegou o pano, subiu algumas prateleiras da estante de livros. Alcançou a vidraça logo acima e retirou a sujeira que impedia sua transparência. O sol inundou a sala, cheia de estranhos objetos, instrumentos e pergaminhos com misteriosas anotações. Cheio de alegria, o jovem disse:

– Entendi, Mestre. Devemos nos livrar de tudo aquilo que não permita o nosso aprendizado. Retirar o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que impedem que a luz do conhecimento nos atinja. Só então poderemos enxergar as coisas com mais nitidez. E retirou-se.

O velho monge, sentindo os raios quentes do sol a invadir a sala com uma claridade a que se desacostumara. Viu o discípulo se afastando, sorriu e finalmente falou:

– Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga. Afinal, eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde caiu.

Post(0022) NG – Julho 2009

sábado, 4 de julho de 2009

É preciso saber viver

 

RC e EC 2

“Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou viver na solidão.
É preciso ter cuidado para mais tarde não sofrer;
Toda pedra no caminho você pode retirar;
Numa flor que tem espinhos você pode se arranhar;
Se o bem e o mau existem, você pode escolher;
É preciso saber viver …

É preciso saber viver …”

Composição de Erasmo Carlos e Roberto Carlos – Nos idos tempos da Jovem Guarda nos anos 70.

Post(0021) NG – Julho 2009

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um plano genial


Barão de Itararé 4

Joaquim estava desempregado e lutava com dificuldades. A sua situação ainda mais se agravava pelo fato de ter que dar assistência a um filho, inexperiente que também estava no desvio, porém, defendia-se como um autêntico leão.

O seu cérebro, torturado pela miséria, era fértil e brilhante, engendrando planos verdadeiramente geniais, graça, aos quais sempre se safava das aperturas diárias com que o destino o torturava.
Naquele dia, o seu “grude” já estava garantido. Recebera convite para um banquete de um alto figurão que estava necessitando de claque. Mas o nosso herói não estava satisfeito, porque não conseguira um convite para o filho.
À hora marcada, acompanhado do rapaz, dirige-se para o salão, onde se celebraria a cerimônia. Antes de entrar, diz a seu filho faminto:
– Fica firme aqui na porta, porque preciso dar um jeito de que tu também tomes parte no festim.
Já estavam todos os convidados sentados nos lugares, na grande mesa quando, Joaquim levanta-se e exclama:
– Senhores, em vista da ausência do Sr. Vigário, tomo a liberdade de benzer a mesa – Em nome do Padre e do Espírito Santo!
– E o filho? – perguntou-lhe um dos convidados.
– Está na porta – responde prontamente. E, voltando-se para o rapaz, ordena, autoritário e enérgico:
– Entra de uma vez, menino! Não vês que estes senhores te estão chamando?

Texto extraído do livro “Máximas e Mínimas do Barão de Itararé” (Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly) – Rio de Janeiro, 1985.

Post(0020) NG – Julho 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Deus e o Diabo

 A dualidade destas entidades já foi discutida até a exaustão, nas não custa nada acrescentar um pouco mais de lenha nesta fogueira.

Deus..

Um dia destes ouvi durante um cafezinho o seguinte comentário:

– “Deus esta em toda a parte, mas o Diabo está nos detalhes.”

O que pensando bem não deixa de ser um pouco verdade.

– Portanto fique atento aos detalhes, ai é que mora o perigo!

Post(0019) NG – Junho 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Conversa ao pé do ouvido

 

LFV2

– O homem é um ser aperfeiçoável, caráter não é destino, não há ninguém que não possa ser recuperado pela razão – e um bom papo.
– É preciso acreditar que o bom que há nas pessoas só não se manifesta em todos porque nem todos encontram nos outros tolerância e a disposição de lhes dar uma última chance, e depois outra última chance e depois outra, e outra…
Eu encontrei este texto no fundo do baú, é do tempo da máquina de escrever, e foi publicada em um jornal de Porto Alegre por Luiz Fernando Veríssimo em 16 de outubro de 1986.
Post(0018) NG – Julho 2009