terça-feira, 21 de setembro de 2010

A estranha beleza da língua portuguesa

 

Post (0088)

Um político que estava em plena campanha chegou a uma pequena cidade, subiu para o palanque e começou o discurso:

– Compatriotas, companheiros, amigos! Encontramo-nos aqui, convocados, reunidos ou juntos para debater, tratar ou discutir um tópico, tema ou assunto, o qual me parece transcendente, importante ou de vida ou morte.
O tópico, tema ou assunto que hoje nos convoca, reúne ou junta é a minha postulação, aspiração ou candidatura a Deputado estadual.

De repente, uma pessoa do público pergunta:

– Diga-me, porque é que o senhor utiliza sempre três palavras, para dizer a mesma coisa?

O candidato respondeu:

– Pois veja, meu senhor: A primeira palavra é para pessoas com nível cultural alto, como intelectuais em geral; a segunda é para pessoas com um nível cultural médio,como o senhor e a maioria dos que aqui estão; a terceira palavra é para pessoas que têm um nível cultural baixo, pelo chão, digamos, como aquele bêbado, ali deitado na esquina.

De imediato, o bêbado levanta-se a cambalear e ‘atira’:

– Senhor postulante, aspirante ou candidato:
(hic) O fato, circunstância ou razão pela qual me encontro num estado etílico, alcoolizado ou mamado (hic), não implica, significa, ou quer dizer que o meu nível (hic) cultural seja ínfimo, baixo ou mesmo rasteiro (hic).

– E com toda a reverência, estima ou respeito que o senhor me merece (hic) pode ir agrupando, reunindo ou juntando (hic) os seus haveres, coisas ou bagulhos (hic) e encaminhar-se, dirigir-se ou ir direitinho (hic) à leviana da sua progenitora, à mundana da sua mãe biológica ou à puta que o pariu!

Não sei quem é o autor, recebi por e-mail…- NG Canela – Setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Relatividade

 Post (0087)

Um Quociente apaixonou-se doidamente por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a da base ao ápice.
Uma figura ímpar de olhos rombóides, boca trapezoidal, corpo ortogonal e seios esferoidais. E fez da sua vida uma paralela à dela, até que se encontraram no Infinito.

– Quem tu és? Indagou ele, em sua ânsia radical.
– Sou a soma do quadrado dos catetos, mas podes me chamar Hipotenusa.
E ao se falarem descobriram que eram o que, em aritmética, corresponde a almas gêmeas: Primos-entre-si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz, numa sexta potenciação, traçando linhas retas, curvas, círculos e senoidais ao sabor do momento e da paixão.

Escandalizaram-se os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do universo finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas e, enfim, resolveram somar-se, constituir um lar, mais que um lar, uma perpendicular.

Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz. Fizeram planos, equações e diagramas para o futuro, somados a uma felicidade integral e diferencial.

Casaram-se e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos.
E foram felizes até àquele dia em que tudo, afinal, tende a se dividir.

Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum, frequentador de círculos concêntricos e viciosos. Ofereceu, a ela, uma grandeza absoluta e reduzindo-a a um denominador comum.

Ele, quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo, uma unidade. Era o triângulo, chamado amoroso e desse problema ela era a fração mais ordinária. E como Einstein ao descobrir a Relatividade, tudo que era espúrio passou a ser normalidade, como, aliás, em qualquer teorema. CQD

Texto equacionado por um amigo  – NG Canela – Setembro de 2010.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A irracionalidade do automóvel

 

Post (0086)

– Muitos de nos vivemos em cidades travadas, onde usar a palavra trânsito é incidir numa contradição, afinal, tudo que não se faz é transitar.

– Repetimos à exaustão: “Por que não se investe em transporte coletivo?”.

– Periodicamente, as grandes cidades batem recordes de engarrafamento, tornando-se lugares altamente poluídos, torrando milhões e esvaziando tanques de combustível sem sair do lugar.
– O caso do transporte nas metrópoles demonstra como determinados conceitos culturalmente arraigados afirmam-se, contra toda racionalidade. Afinal, como justificar o privilégio conferido ao automóvel em políticas de transporte, em que uma única pessoa ocupa o espaço que poderia ser ocupado por muitas num ônibus ou metrô?

– A ideologia do sucesso individual, que leva as pessoas a associarem imediatamente o status social ao carro que possuem, se confunde com a falta de consciência do compartilhamento do espaço público.
– O que se questiona é o próprio sentido de cidadania. Afinal, compartilhar o rico e complexo espaço de uma cidade requer uma postura de respeito pela coletividade, e isso afeta, as escolhas que cada um faz na constituição de seus hábitos cotidianos.

– O avesso disto, que insiste em se reafirmar na realidade, são essas escolhas irracionais que, com máscara de solução individual, tornam-se uma condenação de todos à má qualidade de vida e ao desperdício de recursos. Sabemos que é tempo de mudar.

– Isto não é uma apologia ao abandono do automóvel, mas para que se racionalize o seu uso. Pense nisto durante a sua caminhada costumeiral.

Texto publicado Revista Fórum em junho de 2010 – Resumido – NC Canela – Setembro de 2010