segunda-feira, 28 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Paradoxo do nosso tempo
Nós bebemos demais, gastamos sem critérios.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Nós amamos raramente, e odiamos frequentemente.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver.
Adicionamos anos à nossa vida, e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas não cruzamos a rua pra encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma;
Dominamos o átomo, mas não nosso preconceito;
Escrevemos mais, mas aprendemos menos;
Planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta;
Tempo do homem grande de caráter pequeno;
Dos lucros acentuados e relações vazias.
Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis. Dos cérebros ocos e das pílulas “mágicas”.
Uma era que leva essa carta a você, e uma era que te permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar em “delete”.
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer “eu te amo” à sua esposa (o) e às pessoas que ama.
Mas em primeiro lugar, se ame… se ame muito e a Deus sobre todas as coisas.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize sua família e as pessoas que fazem parte de sua vida.
– Este ensaio foi escrito pelo Dr. Bob Moorehead, ex-pastor de uma igreja cristã de Seattle. O título original deste ensaio é The Paradox of Our Age e apareceu em Words Aptly Spoken, que é uma coleção, datada de 1995, com orações, homilias e monólogos que ele fez em rádios. Nas não sei porque esta sendo atribuído a Geoge Clarin.
NG Canela – Junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
A ilha
Post (0072)
Era uma ilha que vivia no meio do oceano. Levava uma vida tranqüila, sem grandes questionamentos. Conhecia outras ilhas e com elas se comunicava. Um dia, porém, uma idéia a inquietou: Se toda vez que a maré baixava, uma porção de terra se descobria, então até que ponto haveria terra? Até que ponto a ilha existia?
Isso lhe tirou o sono por várias noites. De repente seu conceito sobre si mesmo começou a mudar. Sempre se considerara uma porção de terra boiando a superfície da água. Mas agora já não podia acreditar nisso. Ela não terminava logo abaixo da linha das ondas. Continuava para baixo. Talvez na verdade fosse uma montanha com o pico fora d’água.Saber que ela “continuava” além daquilo que sempre julgou ser era algo espantoso. Dia após dia, a ilha prosseguiu em seus esforços de auto-investigação – precisava saber até onde existia. Mas à medida que sua atenção mergulhava em si mesma, as águas ficavam mais escuras. Era preciso mais concentração. Ela prosseguiu mais atenta, e descobriu que aquilo que existia abaixo da superfície continuava sendo ela mesma.
Surpresa constatou que aquela parte mais profunda de si mesma levava uma existência semi-independente, porém interagindo com a superfície: influenciando e sendo influenciada por ela. Então soube a razão porque se comportava dessa ou daquela maneira e muitas coisas ficaram mais claras a respeito de si mesma de seus relacionamentos e da vida de modo geral. Muito tempo se passou até que se convencesse, de que era mesmo uma montanha. Ela estava presa a uma base e essa base era uma extensão de terra que funcionava como chão. Vinham de lá todas as ilhas. E para lá voltariam todas quando os movimentos da terra, dos ventos e das águas as forçassem a isso. Mas a maioria das ilhas não sabia que todas elas continuavam para baixo e não entendiam as reais motivações de muito do que faziam. A parte acima da superfície era tudo que sabiam sobre si mesmas e isso era pouco. A parte submersa, a montanha, era a parte inconsciente de cada ilha, que desconheciam. E o fundo do mar era o inconsciente maior de todas elas, o lugar de onde vinham.
Ao entender esse fato a ilha lembrou do tempo em que sua consciência de si própria se limitava àquela minúscula porção de terra à superfície. Todas as ilhas vêm do mesmo lugar, feitas da mesma terra. A areia e os nutrientes que as raízes de suas plantas colhem, vem tudo do mesmo chão… Todas as ilhas que existem são uma coisa só. Se cada ilha se aprofundasse em sua noção de si própria, acabaria conhecendo melhor a si mesma e, por virem todas do mesmo lugar, conheceria melhor a todas as outras ilhas.
Viu que eram ideias grandes demais, confundiam a mente. Aquela auto-investigação requeria muita atenção para não se perder durante o processo. Só assim poderia transitar com êxito entre as duas camadas de realidade, a que ficava à superfície e aquela mais escura e misteriosa que prosseguia rumo a seu próprio interior.
As outras ilhas observavam seu comportamento e não entendiam o que ela tentava lhes dizer. Sentiu-se só. Viu-se então pensando do ponto de vista da terra: se elas não se conhecem e elas todas são parte de mim, então eu ainda não me conheço tão bem… Assim sendo, como poderia condená-las? Deveria entender e aceitar o ritmo natural da vida de cada uma. Deveria agir com a mãe sábia e bondosa que incentiva todos os seus filhos, mas tem de respeitar o caminho individual de cada um deles.
Então, subitamente, percebeu que toda aquela vasta extensão de terra lá embaixo funcionava como um útero a expulsar pedaços de si mesmo, para à superfície. Uma vez lá, eles formavam ilhas e começavam então sua aventura individual em busca de saber quem de fato eram e por que existiam. Por que a terra fazia isso? Talvez para ela própria aprender com a experiência. Ao morrer, uma ilha levava sua própria experiência que serviria para formar as futuras ilhas. Assim, toda ilha continha em si, a mesmíssima areia das que a antecederam. Através da vida de cada uma das ilhas, a terra como um todo estava sempre aprendendo cada vez mais sobre si mesma.
Se isso era verdade, então cada ilha possuía uma enorme responsabilidade: conhecer-se a fundo, viver a vida da melhor forma possível e aprender o máximo que pudesse pois tudo o que vivesse formaria o material do qual seriam feitas as que a sucederiam.
A vida é mesmo uma tremenda aventura! – pensou a ilha enquanto se divertia com os olhares estranhos que as outras lhe lançavam.
Texto de Ricardo Kelmer – Resumido – NG Canela – Junho 2010


