quinta-feira, 5 de maio de 2011

O método científico e a pseudociência ou O dragão na minha garagem

 


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Um amigo lhe diz que descobriu um dragão na garagem da casa dele.

“Uau, isso é incrível! Vamos lá vê-lo!" você diz entusiasmado, já pensando nas manchetes dos jornais.
“Bem... isso não vai ser possível porque ele é invisível.”
“Você fala sério?!", mas seu momentâneo desapontamento é logo substituído por uma excitação ainda maior, afinal você sabe que um dragão invisível é ainda mais incrível que um dragão qualquer." A gente joga tinta nele então. E depois tiramos umas fotos.”
-“Ahhh? Tinta? Bom... isso também não vai dar, pois este dragão é incorpóreo.”
“Incorpóreo?!!”
-“Sim, incorpóreo, tipo um fantasma ou um ectoplasma.”
-“Mas este dragão solta fogo? Pelo menos isso?”
-“Sim, soltar fogo ele solta! Se bem que o fogo é invisível também.”
-“Tá, não tem problema, a gente usa um visor de infravermelho pra ver este fogo invisível.”
-“Mas o fogo deste dragão é um fogo frio, que está à temperatura ambiente, não vai dar pra sentir...”
"!!"

Você propõe mais uma dúzia de maneiras de detectar o dragão e seu amigo refuta todas elas dizendo que com este dragão não vai funcionar. Você começa a perder a paciência e, além de um pouco preocupado com a sanidade do seu amigo, fica imaginando qual a diferença entre um dragão que não pode ser detectado de nenhuma maneira e dragão nenhum:

-"Então como você sabe que há realmente um dragão lá?!”

Seu amigo responde a esta pergunta com explicações confusas que misturam capacidade de se comunicar telepaticamente com o dragão, técnicas ancestrais milenares de detecção de dragões, instrumentos exóticos capazes de medir a "energia" de dragões, uso da intuição, etc., e encara o seu ceticismo como má-vontade em crer neste maravilhoso dragão-invisível-incorpóreo-que-cospe-fogo-frio.

Esta história é uma adaptação livre de um trecho do livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios" de Carl Sagan e ilustra o típico pensamento pseudocientífico. De fato você não precisa ir muito mais longe para, usando a mesma analogia, imaginar pessoas que buscam soluções inspirados por dragões indetectáveis, ou que dizem curar usando a energia destes seres. Estas pessoas provavelmente acusarão os cientistas que não querem crer na existência de seus dragões de estreiteza de pensamento ou dirão que eles se negam a encarar as evidências porque temem que elas abalem sua forma ortodoxa de pensar.

A conclusão é que por mais que a ciência investigue o fenômeno não há evidências, ordinárias nem extraordinárias, obtidas através de um rigoroso método científico que suportem a existência do Dragão Invisível. Por isso, para a ciência pelo menos, ele é finalmente esquecido.

Texto de Widson Porto Reis, resumido - NG Canela – Maio de 2011

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